O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse estar disposto a abdicar do seu cargo se essa fosse a pré-condição para que a Ucrânia possa aderir à NATO.
Numa conferência de imprensa este domingo, na véspera do terceiro aniversário da invasão russa em larga escala, Zelensky voltou a insistir na necessidade de serem dadas à Ucrânia garantias de segurança para que seja alcançada uma paz justa – e isso, disse, só pode acontecer no quadro da NATO ou ao lado dos EUA.
Questionado sobre se estaria disposto a abandonar a presidência se isso permitisse um cessar-fogo, Zelensky mostrou-se irritado. “Se precisam mesmo que eu deixe o meu cargo, eu estou pronto. Posso trocar isto pela [adesão à] NATO, se essa for a condição, imediatamente”, afirmou o Presidente ucraniano.
Dias antes, o Presidente dos EUA, Donald Trump, tinha chamado “ditador” a Zelensky, repetindo várias alegações que costumam ser difundidas pelo Kremlin. Em causa está a não realização de eleições na Ucrânia – o mandato de Zelensky terminava no ano passado -, que Trump considera ser um ataque à democracia ucraniana. No entanto, com a lei marcial nenhuma força política o tem exigido.
O ponto mais importante neste momento quando se assinalam três anos desde o início da invasão – para a Ucrânia é o fornecimento de garantias de segurança por parte do Ocidente, sobretudo dos EUA. Caso contrário, acreditam as autoridades ucranianas, Moscovo irá voltar a reunir condições para atacar o país vizinho.
Numa conferência de imprensa este domingo, na véspera do terceiro aniversário da invasão russa em larga escala, Zelensky voltou a insistir na necessidade de serem dadas à Ucrânia garantias de segurança para que seja alcançada uma paz justa – e isso, disse, só pode acontecer no quadro da NATO ou ao lado dos EUA.
No entanto, Washington já excluiu a hipótese de uma adesão da Ucrânia à NATO vir a ser um cenário para o futuro próximo, cumprindo uma das principais exigências da Rússia. A Administração Trump também afastou a possibilidade de poder garantir a defesa da Ucrânia fora do âmbito da Aliança Atlântica.
Zelensky mostrou optimismo em relação ao futuro de um acordo com os EUA para a exploração de terras raras. “Estamos a fazer progressos, estamos preparados para partilhar”, garantiu o Presidente ucraniano. Uma primeira proposta foi rejeitada por Zelensky por considerá-la demasiado onerosa.
Esta segunda-feira, por ocasião do terceiro aniversário da invasão, Zelensky vai receber em Kiev alguns líderes europeus, incluindo a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, para um encontro que, espera o Presidente ucraniano, seja “um ponto de viragem”.
Este domingo, antes de rumar a Kiev, Von der Leyen expressou o apoio “inabalável” da União Europeia à Ucrânia. Falando de um “momento definidor para a Ucrânia e para a segurança europeia”, Costa revelou ter marcado uma cimeira europeia especial sobre a guerra para 6 de Março. Público
