O Presidente da República, João Lourenço, realizou hoje uma visita de trabalho de algumas horas a Kinshasa, onde selou com o seu homólogo congolês, Félix Tshisekedi, um novo ciclo de cooperação económica bilateral. O encontro, marcado por um forte pendor estratégico, resultou no anúncio de projectos concretos nas áreas da energia, hidrocarbonetos e comércio formal, visando transformar a histórica relação de “boa-vizinhança” em resultados tangíveis para as economias de Angola e da República Democrática do Congo (RDC).

Em declarações à imprensa na capital congolesa, ao lado de Félix Tshisekedi, o Chefe de Estado angolano elogiou a postura do homólogo, qualificando-o como o primeiro líder da RDC a implementar acções práticas no plano económico com Angola. “Sempre falámos de relações de boa-vizinhança, de fraternidade, mas nunca houve nada de concreto para mostrar como relação económica”, afirmou João Lourenço, sublinhando que os últimos três anos representaram um avanço sem precedentes.

Energia e Combustíveis no Centro da Agenda

O pacote de negócios anunciado prevê que Angola assuma um papel de fornecedor estratégico de recursos energéticos para o país vizinho. Através da petrolífera estatal Sonangol, Angola passará a vender produtos refinados, nomeadamente gasolina e gasóleo, à RDC.

No domínio eléctrico, o plano inclui a construção de, pelo menos, três linhas de alta tensão. Estas infra-estruturas ligarão o território angolano ao interior do Congo, permitindo a exportação de excedentes de energia eléctrica produzida em Angola.

Um dos pontos mais sensíveis e aguardados da agenda foi o entendimento sobre a Zona de Interesse Comum (ZIC). Após mais de 20 anos de negociações inconclusivas, os dois países acordaram o início da exploração petrolífera conjunta em regime de partilha. As projecções indicam que a comercialização do crude extraído nesta bacia poderá ter início num horizonte de quatro anos.

Comércio Formal de Pescado e Sal

A cooperação estende-se ainda ao sector produtivo primário. Angola deverá dinamizar a exportação de produtos do mar — com destaque para o peixe e o sal — através de circuitos formais de comércio, combatendo a informalidade e fortalecendo as balanças comerciais de ambos os Estados.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *