No discurso proferido no ano em que Angola assinala 50 anos de adesão plena às Nações Unidas, em Dezembro de 1976, João Lourenço afirmou que a diplomacia deve prevalecer sobre o uso da força nas relações internacionais.
“Vivemos hoje num ambiente de anarquia mundial em que o uso da força impera sobre a força da razão e da Lei”, declarou o Chefe de Estado, ao defender uma reflexão profunda no seio da ONU para que a organização recupere o seu papel na manutenção da paz e da segurança internacionais.
O Presidente condenou o que qualificou como “genocídio contra populações indefesas” e a expulsão de palestinianos através da expansão de colonatos na Cisjordânia. Referiu igualmente os efeitos das guerras na Ucrânia e no Golfo Pérsico nas cadeias de abastecimento alimentar e energético, com consequências mais severas para os países vulneráveis.
João Lourenço reiterou também o apelo ao fim do embargo económico a Cuba, que considerou desumano, injusto e contrário ao Direito Internacional. No plano das Nações Unidas, reafirmou o apoio de Angola ao Consenso de Ezulwini e à Declaração de Sirte, defendendo uma representação permanente adequada de África, América Latina e Ásia no Conselho de Segurança.
“A voz dos africanos deve ser escutada em todas as circunstâncias”, afirmou, incluindo nas decisões relacionadas com paz, segurança, financiamento ao desenvolvimento, clima e governação da Inteligência Artificial.
O Chefe de Estado destacou as iniciativas promovidas por Angola no continente, entre as quais a 21.ª Conferência Extraordinária da União Africana sobre prevenção e resolução de conflitos, realizada em Luanda, a terceira edição da Iniciativa do Apelo à Paz e a realização, prevista para Outubro, do Fórum Pan-Africano para a Cultura da Paz e da Não-Violência — Bienal de Luanda.
Segundo Lourenço, estas acções assentam no princípio de “soluções africanas para os conflitos em África”. O Presidente apelou ainda à aplicação efectiva da Resolução 2719 do Conselho de Segurança, relativa ao financiamento previsível e sustentável das operações de apoio à paz conduzidas pela União Africana.
Na vertente económica, o Presidente angolano associou a paz ao desenvolvimento e sublinhou que os países africanos gastam mais com o serviço da dívida do que em saúde, educação e infra-estruturas. Defendeu, por isso, a reforma imediata da arquitectura financeira internacional e um financiamento climático previsível, acessível e adicional, que não agrave a dívida dos países em desenvolvimento.
No encerramento da intervenção, João Lourenço sustentou que a diplomacia constitui a via para unir, reparar, construir e salvar vidas, povos, nações e a Humanidade.
