D.R

A Mota-Engil figura na 55.ª posição do ranking das 100 maiores empresas mundiais do sector da construção, de acordo com o estudo «Global Powers of Construction 2026», da Deloitte. A classificação é encabeçada pela China State Construction Engineering Corporation, pela China Railway Group Limited e pela China Railway Construction Corporation.

O estudo considera, entre outros indicadores, vendas, avaliação de mercado, rentabilidade, presença internacional e diversidade dos negócios. Segundo os dados apresentados, a Mota-Engil registou, em 2025, vendas de 5.301 milhões de euros e lucros de 133 milhões de euros, o melhor resultado anual da sua história. A capitalização bolsista indicada ascende a 1.781 milhões de dólares, cerca de 1.400 milhões de euros.

No primeiro semestre, o grupo registou lucros de 74 milhões de euros, um aumento de 24%, e um volume de negócios de 2.898 milhões de euros, mais 6% do que no período homólogo. A carteira de encomendas ultrapassou os 17,7 mil milhões de euros, segundo os elementos divulgados.

Miguel Nuno Fontes, responsável pela área da construção da Deloitte Portugal, aponta a geopolítica, os custos de financiamento, o encarecimento das matérias-primas, a volatilidade dos mercados financeiros e a escassez de mão-de-obra como obstáculos à execução de projectos. Mas identifica também factores de procura, como a urbanização, a transição energética e a expansão da inteligência artificial, que exige novos centros de dados.

O relatório indica que a Europa lidera em número de empresas presentes no ranking, com 40 grupos, e representa 24,5% das receitas agregadas. As companhias chinesas concentram 48,5% das vendas globais, equivalentes a cerca de 957 mil milhões de dólares, apesar de uma redução de 5,5% face a 2024.

Em 2025, as receitas conjuntas das 100 empresas incluídas na lista recuaram 0,4%, para aproximadamente 1.972 biliões de dólares. Em sentido contrário, a capitalização bolsista agregada avançou 12%, para 893 mil milhões de dólares.

De acordo com Miguel Fontes, 67% das receitas das empresas europeias de construção são obtidas fora dos respectivos mercados domésticos. No caso da Mota-Engil, África e a América Latina assumem peso relevante no contributo para a actividade do grupo, segundo a análise apresentada.

A Deloitte considera que as alterações demográficas, a transformação digital e a transição para economias de baixo carbono continuam a sustentar a procura de longo prazo no sector. Para o curto prazo, Miguel Fontes antecipa um crescimento global moderado de 1,5%, com uma perspectiva de crescimento composto que poderá atingir 6% até 2030.

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