Depois de encerrar as suas operações de exploração e produção petrolífera em Angola em 2024, a Galp está a preparar o regresso ao país. A intenção foi revelada pelo presidente da Sonangol, Sebastião Gaspar Martins, que confirmou o interesse da empresa portuguesa em voltar a investir no setor de exploração e produção.
A Galp iniciou a produção de petróleo em Angola em 1982 e manteve atividade durante mais de quatro décadas. Em 2024, vendeu os seus últimos ativos petrolíferos no país à Etu Energias, numa operação avaliada em 830 milhões de dólares, permanecendo apenas no segmento da distribuição de combustíveis através da Sonangalp, uma empresa detida em parceria com a Sonangol.
Segundo Sebastião Gaspar Martins, representantes da Galp reuniram recentemente com a petrolífera estatal angolana para manifestar a intenção de retomar investimentos. O responsável classificou a Galp como uma “empresa irmã”, destacando a longa relação entre as duas empresas e o potencial para reforçar a cooperação em áreas como exploração, produção e energias renováveis.
A Sonangol, que detém cerca de 17% do capital da Galp, considera que a parceria continua estratégica, apesar dos desafios enfrentados ao longo dos anos.
O anúncio surge numa fase de forte dinamismo para o setor petrolífero angolano. O país lançou mais de 70 blocos petrolíferos em concursos internacionais, com investimentos previstos superiores a 70 mil milhões de dólares, e pretende continuar a atribuir novas concessões até ao final da década.
Atualmente, a Galp concentra a sua produção de petróleo e gás no Brasil e mantém atividades de prospeção na Namíbia e em São Tomé e Príncipe, ainda sem produção comercial.
Durante a mesma intervenção, o presidente da Sonangol reafirmou também a confiança da empresa nos seus investimentos em Portugal, nomeadamente na Galp e no BCP, sublinhando que não existem planos para alienar estas participações.
Sebastião Gaspar Martins revelou ainda que a Sonangol e a Mota-Engil estão a estudar a reativação de um estaleiro naval no Kwanza Sul, destinado ao apoio e manutenção da indústria petrolífera. O projeto prevê, numa fase posterior, a produção em Angola de componentes para navios, atualmente fabricados na Coreia do Sul, reforçando a capacidade industrial do país.
Apesar da redução da produção petrolífera angolana — que passou de um pico de dois milhões de barris por dia em 2008 para cerca de um milhão atualmente —, a Sonangol mantém uma visão otimista sobre o setor. O presidente da empresa defende que Angola continua a oferecer um ambiente atrativo para o investimento, destacando a estabilidade contratual e as oportunidades existentes em toda a cadeia de valor da indústria petrolífera.
