O político e general Higino Carneiro formalizou, nesta quinta-feira (25), a sua candidatura à presidência do MPLA na sede nacional do partido, em Luanda. Acompanhado por uma forte presença mediática, o pré-candidato entregou cerca de 19 mil subscrições à subcomissão de mandatos, num processo que, segundo o próprio, foi marcado por entraves burocráticos e episódios de perseguição política contra as suas equipas de recolha em diversas províncias do país.

 Obstáculos na recolha e denúncias de perseguição

Em declarações aos jornalistas, Higino Carneiro revelou que o caminho até à formalização não foi isento de dificuldades. O pré-candidato explicou que uma primeira remessa de mais de 10 mil subscrições foi rejeitada por não conformidade com o padrão oficial das fichas definido pela comissão.

“O processo não foi fácil. As nossas equipas foram alvo de perseguição em algumas províncias”, afirmou o político, sem detalhar os autores dos actos. Apesar dos contratempos, Carneiro destacou o “apoio corajoso” de militantes em praças fortes como Luanda, Huambo, Benguela, Bié, Cuanza Sul, Zaire e Uíge. “Esperamos agora que a subcomissão de candidaturas faça um trabalho com transparência, isenção e rigor”, apelou.

Questionado sobre a desigualdade de tratamento na corrida à liderança — tema que motivou um recurso prévio à comissão nacional preparatória — Higino Carneiro adoptou uma postura institucional, remetendo os detalhes para o “foro interno” do MPLA.

Sobre o seu relacionamento com o actual Presidente da República e do partido, João Lourenço, o pré-candidato foi taxativo ao reafirmar a hierarquia partidária. “O meu líder é João Lourenço”, declarou, sublinhando que a sua movimentação ocorre dentro dos marcos da democracia interna da formação política no poder.

À margem da formalização política, Higino Carneiro optou por não aprofundar comentários sobre o processo judicial em que é visado pelo Ministério Público, sob acusações de peculato e branqueamento de capitais. O pré-candidato mantém o foco na agenda partidária enquanto o processo segue os trâmites legais nos órgãos de justiça competentes.

Fonte: Novo Jornal

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