Num sistema financeiro ainda muito concentrado em activos tangíveis, a parceria entre o Banco de Comércio e Indústria (BCI), a Ombala Invest e o Ministério do Ensino Superior, Ciência e Tecnologia de Inovação (MESCTI) testa um modelo diferente, o de investir no activo no capital humano, refere o Banco de Comércio e Indústria.

Uma nota do BCI sustenta que Angola tem um problema conhecido que se prende com a transformação da renda em riqueza. Na perspectiva da entidade bancária, esse processo falha quase sempre no mesmo ponto, ou seja, na alocação de capital para aquilo que não tem garantia física.

Salienta, assim sendo, que o sector financeiro angolano aprendeu a financiar petróleo, edifícios e a importação e, entretanto, não aprendeu a financiar trajectórias.

Por isso, “quando o Banco de Comércio e Indústria (BCI) se associa a um programa que já abrange mais de sete mil universitários, através de uma solução desenvolvida por duas startups nacionais a CEU, da Ombala Invest, e a Estudante Carneiro o facto relevante não é o cartão. É o modelo”, sublinha Vladimir Ferraz, presidente do Conselho de Administração do BCI.
O que foi apresentado na Tenda do Paz Flor, no âmbito do Guia do Estudante – Orientação Académica e Profissional, não é um produto bancário na acepção clássica. É, segundo sublinha o BCI, uma infra-estrutura de permanência.

“O futuro não se faz sem estudantes, não se faz sem os jovens”, afirmou o PCA do BCI.

“A inovação aqui não está na tecnologia do cartão. Está na arquitectura da parceria”, ressalta, ao elencar que uma startup identifica uma falha invisível. Ou seja, milhares de estudantes sem identificação académica unificada e sem histórico financeiro.

O Estado, via MESCTI, legitima e reconhece. Logo, um banco comercial entra não para capturar, mas para escalar, trazendo conta, seguro, rede de descontos e, quando elegível, crédito.

O próprio ministério fez questão de sublinhar este ponto, ao saudar as startups “pela iniciativa, criatividade e inovação demonstradas”, tendo enaltecido “o contributo de todas as instituições e empresas que participam na promoção da inovação e do desenvolvimento de soluções tecnológicas”.

Para o BCI, o impacto é duplo. Primeiro, posiciona-se como banco que financia o início da cadeia de valor, não apenas o fim. Segundo, num país onde a taxa de bancarização jovem ainda é baixa, criar uma relação bancária, aos 20 anos, com um estudante de engenharia do ISPTEC ou da Metodista, por exemplo, é, também, criar um cliente de 40 anos com literacia financeira.

“É um programa contínuo, não está fechado. O leque não está fechado. O futuro não se faz sem estudantes, não se faz sem os jovens”, afirmou o PCA do BCI.

É a mesma lógica que o banco tem vindo a aplicar para um segmento diametralmente oposto e, igualmente, excluído, o das zungueiras, em que os depósitos já ultrapassam AOA 600 milhões. Em ambos os casos, a inovação não é o crédito. É trazer para o sistema formal quem estava fora dele.
Como referiu o MESCTI, citando o Presidente da República: “Ao investirmos e apostarmos na juventude, estamos a investir no presente e no futuro do país”.

Os 30 a 50 milhões de dólares já investidos até ao momento mostram que não se está perante um projecto-piloto, mas de uma aposta consolidada. Ao converter esse investimento em 7 mil trajectórias académicas com maior possibilidade de conclusão e inserção no mercado de trabalho, o retorno deixa de ser financeiro no curto prazo e passa a ser estrutural, medindo-se em capital humano e produtividade futura.

Fonte: O Telegrama

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