O Presidente da República, João Lourenço, deslocou-se esta quarta-feira, 15 de Abril, à província de Benguela para avaliar no terreno os estragos provocados pelas enchentes do rio Cavaco, que já causaram 18 mortes e desalojaram cerca de 12 mil angolanos. A visita permitiu contacto directo com as populações sinistradas e uma reunião de trabalho com a Comissão Nacional de Protecção Civil, num momento em que centenas de famílias perderam casas, bens e o pouco que tinham no quotidiano.

Os dados provisórios foram avançados pelo administrador municipal de Benguela, Armando Vieira, durante a presença do Chefe de Estado nos centros de acolhimento. O Governo Provincial intensifica neste momento os esforços de emergência, com o apoio visível do Presidente da República considerado decisivo para devolver dignidade às vítimas.

Presidente chega e sobrevoa zonas devastadas

À chegada ao aeroporto local, João Lourenço foi recebido pelo governador provincial, Manuel Nunes Júnior. De helicóptero, o Presidente sobrevoou as áreas alagadas e, em terra, percorreu artérias inundadas para constatar o trabalho das autoridades locais na organização dos espaços de acolhimento.

Três centros principais acolhem actualmente os sinistrados: o Novo Campismo, com cerca de quatro mil pessoas; o Acampamento dos Pioneiros de Kassanji, também com quatro mil; e o Estádio de Ombaka, com três mil deslocados. No total, mais de 11 mil cidadãos já estão abrigados em infra-estruturas improvisadas.
Testemunhos das mães que perderam tudo

No Novo Campismo, instalado numa infra-estrutura do Ministério da Juventude e Desportos, a senhora Henriqueta Chile, mãe de gémeos menores de dois anos, desabafou: “Graças a Deus estamos vivos, mas dói-me saber que perdi tudo e estou ao relento com os meus filhos pequenos”. A sua casa no bairro Capiandalo foi destruída pelas águas.

No Acampamento dos Pioneiros de Kassanji, Inês Torres vive situação idêntica com os seus quatro filhos. A filha de quatro anos teve a perna fracturada quando a parede da casa desabou. No centro recebeu assistência médica e já tem a perna engessada.

Cadastro das famílias e apoio da sociedade civil

As equipas no terreno procedem ao cadastro das famílias segundo as áreas de origem, para avaliar os níveis de vulnerabilidade e definir respostas mais precisas. As zonas mais afectadas são as F e E, próximas ao rio Cavaco, onde o colapso de um dique agravou as inundações, atingindo ainda os bairros Calomanga, Tchipiandalo, Massangarala, Cotel e Santa Teresa, além de áreas agrícolas e empresas vizinhas.

O administrador Armando Vieira destacou a mobilização de todas as forças disponíveis e o forte apoio da sociedade civil, cuja solidariedade foi publicamente elogiada.

Reunião com a Comissão Nacional de Protecção Civil e regresso a Luanda

No final da visita, o Presidente da República reuniu com a Comissão Nacional de Protecção Civil, onde recebeu informações detalhadas sobre a situação e as medidas em curso. Após várias horas de trabalho no terreno, João Lourenço regressou já a Luanda.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *