A ligação aérea entre Luanda e Cabinda atravessa um período de forte pressão, com os bilhetes da TAAG em classe económica totalmente esgotados até ao dia 6 de Outubro. A situação, confirmada pelo serviço de apoio ao cliente da companhia de bandeira, está a forçar os passageiros a optarem pela classe executiva, onde os preços ascendem aos 450 mil kwanzas (ida e volta), um valor 15 vezes superior à tarifa socialmente subsidiada. O cenário agrava o isolamento do enclave, que depende criticamente das ligações aéreas para a integração com o restante território nacional.
Para os residentes e empresários que dependem da rota Luanda-Cabinda, a indisponibilidade de lugares na classe económica representa um duro golpe financeiro. Atualmente, um bilhete de ida e volta na tarifa económica fixa-se nos 29.430 kwanzas. Contudo, perante a escassez de vagas, a alternativa imediata recai sobre a classe executiva, cujas tarifas para o mesmo percurso superam os 450 mil kwanzas — um diferencial de custo que muitos consideram incomportável.
Este jornal apurou que, para quem necessita de viajar com urgência, a TAAG dispõe de vagas na classe executiva apenas a partir de domingo, dia 12 de Setembro, com o bilhete de ida a rondar os 225 mil kwanzas. Já a disponibilidade para a classe económica só é reposta no início do mês de Outubro.
A situação gerou uma onda de contestação nas plataformas digitais, com internautas a manifestarem forte indignação perante o que consideram ser uma “vulnerabilidade acrescida” da província. Por ser um enclave geograficamente descontinuado do resto do país, a população de Cabinda está exclusivamente dependente das vias aéreas e marítimas para a circulação de pessoas e bens para as restantes províncias.
É importante recordar que, no ano passado, o Presidente da República, João Lourenço, decidiu ajustar o subsídio à tarifa aérea nesta rota específica. Desde o início do seu mandato, as ligações para Cabinda beneficiavam de uma subvenção estatal direta, visando mitigar os custos do isolamento geográfico. O atual cenário de esgotamento de vagas e a disparidade de preços entre classes reacendem o debate sobre a eficácia da gestão de frequências e a proteção do consumidor nesta rota prioritária.
Fonte: Valor Económico
