O avião que aterrou no Aeroporto Militar de Figo Maduro, em Lisboa, na madrugada do dia 14 deste mês, estava classificado como “voo de Estado” e não como “voo militar”, como inicialmente divulgado. A informação foi avançada esta segunda-feira pelo jornal português Jornal de Notícias.
A aeronave, procedente de Bissau, transportava a mulher do presidente deposto da Guiné-Bissau, Sissoco Embaló, e o responsável pelo protocolo presidencial. Durante a operação, a Polícia Judiciária (PJ) portuguesa apreendeu cerca de cinco milhões de euros em numerário.
Classificação alterada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros
Segundo apurou o JN junto de fontes policiais e militares, a qualidade de “voo de Estado” foi atribuída pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) de Portugal. Contudo, o gabinete do ministro Paulo Rangel recusou-se a prestar esclarecimentos sobre o caso.
Permanece por esclarecer em que momento e por que razões o MNE alterou a classificação inicial do voo, que constava como militar, e quais os critérios utilizados para a mudança.
Detenções e constituição de arguidos
Na sequência da operação, Tito Gomes Fernandes foi detido e Dinísia Embaló, mulher do presidente guineense, foi constituída arguida por crimes de contrabando e branqueamento de capitais.
No dia da detenção, a Polícia Judiciária já havia informado que “o voo estava inicialmente classificado como sendo militar” e que, após aterrar em Lisboa, seguiria para o aeroporto de Beja, no sul de Portugal. Posteriormente, as autoridades verificaram que tanto a natureza quanto o destino final da aeronave “eram distintos” dos indicados às autoridades aeronáuticas portuguesas.
