O Reino Unido anunciou a suspensão imediata do regime de vistos “expressos” para cidadãos da República Democrática do Congo (RDCongo), em represália à falta de cooperação do país africano no repatriamento de imigrantes ilegais. Enquanto isso, Angola e Namíbia mantêm o acesso privilegiado ao serviço acelerado de vistos após aceitarem as condições impostas por Londres para o retorno de nacionais em situação irregular no território britânico.
A decisão foi confirmada pelo Ministério do Interior do Reino Unido, que acusou os três países de usar burocracia excessiva para atrasar ou impedir deportações de “imigrantes ilegais e criminosos estrangeiros”. No entanto, só Angola e Namíbia demonstraram disposição efetiva para colaborar, evitando assim sanções mais duras.
“Agradeço a Angola e à Namíbia e congratulo-me com a sua cooperação. Agora é a altura de a República Democrática do Congo fazer o que está certo. Levem os vossos cidadãos de volta ou percam o privilégio de entrar no nosso país”, afirmou a secretária do Interior, Shabana Mahmood, em declaração à BBC.
Segundo o Governo britânico, caso a RDCongo persista na recusa de receber seus nacionais em situação irregular, poderá enfrentar medidas ainda mais severas, incluindo a proibição total de emissão de vistos para qualquer cidadão congolês.
O acordo firmado com Angola e Namíbia é visto como o “primeiro sucesso” das reformas ao sistema de asilo aprovadas em novembro de 2025. Entre as novas medidas, destacam-se o caráter temporário do estatuto de refugiado, o fim do apoio habitacional garantido a requerentes de asilo e a criação de “rotas seguras e legais” com limite máximo de entrada no país.
Ainda de acordo com o Ministério do Interior, os novos entendimentos poderão resultar na deportação de milhares de imigrantes nos próximos meses. Além disso, Londres reiterou que não hesitará em aplicar o chamado “travão de emergência” a vistos de outros países que se recusem a colaborar com as políticas de regresso.
Fonte: Lusa
