Ousmane Sonko, antigo Primeiro-Ministro, foi eleito esta segunda-feira Presidente da Assembleia Nacional do Senegal, regressando assim ao centro do poder político do país com o forte apoio do seu partido, o Pastef. A eleição ocorre poucos dias depois de ter sido demitido pelo Presidente Bassirou Diomaye Faye, da mesma formação política, numa crise que deixa o país da África Ocidental num clima de grande incerteza.
Com 130 dos 165 assentos parlamentares, o Pastef garantiu a Sonko uma vitória por larga maioria. O líder opositor, que já foi preso e depois libertado, assume agora o cargo de segunda personalidade mais importante do Estado senegalês, substituindo El Malick Ndiaye, que se demitiu no domingo.
A sessão ficou marcada pelo boicote da oposição, que abandonou o hemiciclo em protesto, considerando que Sonko não teria direito a recuperar o mandato de deputado. Apesar disso, o novo presidente da Assembleia foi longamente aplaudido pelos deputados da sua bancada.
“Não vou criar caos institucional”
No discurso de tomada de posse, Sonko procurou acalmar os ânimos: “Não utilizarei esta responsabilidade para organizar o caos institucional, para criar uma crise institucional ou problemas ao Presidente da República. Nenhum deputado ao meu lado utilizará esta instituição para uma vingança pessoal”.
No entanto, analistas questionam se o Presidente Faye conseguirá governar e aprovar as suas reformas num contexto de graves dificuldades económicas, com a dívida pública a atingir 132% do PIB.
Novo Primeiro-Ministro é banqueiro
Na segunda-feira, o Presidente Faye nomeou o banqueiro e economista Ahmadou Al Aminou Lo como novo Primeiro-Ministro, com a missão de estabilizar a economia senegalesa. Lo, antigo director da filial senegalesa do Banco Central dos Estados da África Ocidental (BCEAO), é visto como alguém com perfil técnico para lidar com o peso da dívida.
As tensões entre Faye e Sonko vinham-se agravando há vários meses, com divergências públicas que culminaram na demissão do então Primeiro-Ministro na sexta-feira passada.
Fonte: DW
