O governador do Banco Nacional de Angola (BNA), Manuel Tiago Dias, abriu esta quarta-feira a IV edição da Angola Banking Conference, sublinhando os progressos registados na adopção de pagamentos electrónicos e no desenvolvimento do open banking no país.

No evento, organizado pela revista Economia & Mercado em parceria com a PwC, o responsável máximo do banco central considerou que a digitalização dos serviços financeiros está a criar maior eficiência, competitividade e inclusão no sector bancário angolano, com impacto directo na vida das famílias e das empresas.

Pagamentos instantâneos ganham terreno

Manuel Tiago Dias destacou a expansão dos pagamentos por código QR e contactless, além do crescimento sustentado do KWiK, a plataforma de transferências instantâneas que permite movimentar dinheiro em tempo real de forma simples e acessível.

Estas ferramentas têm facilitado o dia-a-dia dos angolanos, especialmente nas províncias, onde o acesso ao sistema bancário tradicional ainda enfrenta constrangimentos. A redução da dependência do numerário contribui também para maior formalização da economia e controlo da circulação do Kwanza.

Open banking como próximo passo

O governador abordou ainda o desenvolvimento do open banking em Angola, definido como um ecossistema de partilha de dados entre instituições financeiras, sempre com o consentimento expresso dos clientes. Recentemente, o BNA publicou um Position Paper sobre a matéria, sinalizando a intenção de avançar com um quadro regulatório mais claro.

Esta iniciativa surge num contexto de maior concorrência no sector financeiro, exigências acrescidas de compliance e aceleração tecnológica, factores que obrigam os bancos a repensarem os seus modelos de negócio.

Resiliência e sustentabilidade no sector

A conferência decorre sob o tema “Futuro da Banca em Angola: Resiliência, Inovação e Sustentabilidade do Negócio”, num momento em que o sector enfrenta desafios como a pressão cambial, a necessidade de inclusão financeira e a adaptação às novas tecnologias.

O evento reúne reguladores, banqueiros, especialistas e parceiros internacionais para debater os caminhos que permitirão ao sistema financeiro angolano responder às necessidades de uma economia em transformação.

Fonte: Jornal Mercado

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