Paulo Guimarães e João Mateus, antigos coordenadores do Gabinete de Informações Estratégicas do Serviço de Inteligência e Segurança do Estado (SINSE) e actuais assessores do candidato Higino Carneiro, devem apresentar-se à Procuradoria-Geral da República no próximo dia 10 de Junho para responder a acusações de corrupção. O caso, que remonta a Março de 2025, levanta questões sobre a gestão de verbas operacionais de uma estrutura que operou entre 2019 e 2022.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) convocou para o próximo dia 10 de Junho Paulo Guimarães e João Mateus, dois quadros que integraram o Gabinete de Informações Estratégicas do Serviço de Inteligência e Segurança do Estado (SINSE) e que, presentemente, prestam assessoria política a Higino Carneiro. Os dois profissionais são visados num processo-crime instruído pelo Serviço de Investigação Criminal (SIC), sob acusação de práticas de corrupção relacionadas com a gestão de fundos estratégicos.
De acordo com informações apuradas, o processo teve início em Março de 2025, data em que Guimarães e Mateus compareceram voluntariamente na Direcção de Combate aos Crimes de Corrupção do SIC para prestar declarações no âmbito da instrução preparatória do Processo-Crime n.º 1295/025-P. A notificação para a audiência de 10 de Junho foi assinada pelo comissário Caetano Manuel Mufuma, director da instituição.
Os dois assessores coordenaram, entre 2019 e 2022, o Gabinete de Informações Estratégicas do SINSE, uma estrutura dedicada a matérias de contra-espionagem, contra-terrorismo, combate à subversão económica e financeira, e relações internacionais. O gabinete operava a partir de um apartamento arrendado no condomínio Quinta Rosalinda, no Futungo de Belas, província de Luanda, com uma renda trimestral de 1.340.000 kwanzas.
Segundo fontes próximas do processo, consultadas sob condição de anonimato, Guimarães e Mateus eram considerados “quadros de confiança” pela liderança do SINSE, chefiada pelo general Fernando Garcia Miala, tendo cumprido missões sob orientação directa do chefe dos serviços ou de um oficial superior identificado pelo código “Ponto Focal”. Este último, alegam as mesmas fontes, era o gestor centralizado das informações e dos meios operacionais da estrutura.
Após solicitarem licença sem vencimento por tempo indeterminado, os dois profissionais integraram a equipa de assessoria de Higino Carneiro. Esta transição, segundo um antigo operativo do SINSE que falou ao NJ sob reserva de identidade, terá gerado desconforto institucional.
“São instituições com regras rígidas, onde se entra com facilidade, mas se sai com dificuldade. O que está em causa não é apenas a gestão de fundos, mas o acesso a informação sensível e o papel que estes quadros desempenham agora ao lado de um candidato considerado pelo sistema como adversário político”, explicou a fonte.
Fonte: Novo Jornal

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