A TAAG Linhas Aéreas de Angola encerrou o exercício de 2025 com um prejuízo líquido de 144,7 milhões de dólares americanos, valor que representa uma redução de 2,5 milhões de dólares face ao ano anterior. A administração da companhia de bandeira justifica os resultados com investimentos estruturantes na modernização da frota e na transição para o Novo Aeroporto Internacional Dr. António Agostinho Neto, mas alerta que a escalada do preço do combustível de aviação (Jet A-1) poderá obrigar a ajustes tarifários ainda este ano.
Apesar da ligeira contracção das perdas financeiras, que atingiram 2% em relação a 2024, a transportadora aérea nacional acumula o terceiro exercício consecutivo com resultados líquidos negativos. Este cenário insere-se num contexto global desafiante, onde a instabilidade geopolítica no Médio Oriente tem pressionado os custos operacionais, um factor que a gestão da TAAG identifica como uma “dor de cabeça” para as contas de 2026.
De acordo com dados apurados pelo Expansão, a análise da última década (2016-2025) revela um quadro complexo para a aviação civil angolana: em dez exercícios financeiros, apenas em 2022 a companhia registou um lucro simbólico de 500 mil dólares. No acumulado deste período, os resultados negativos atingem 1.472,9 milhões de dólares, um montante que coloca a sustentabilidade financeira da empresa sob escrutínio.
Investimentos e Modernização como Justificação
Em conferência de imprensa dedicada ao balanço de actividades de 2025, Clóvis Rosa, Presidente do Conselho de Administração da TAAG, sublinhou que os resultados actuais não devem ser lidos isoladamente. “Este resultado reflecte, em grande medida, o impacto de investimentos estruturantes associados à modernização da frota, à reorganização operacional, à transição aeroportuária, ao reforço da capacidade técnica, à recuperação dos sistemas afectados pelo ciberataque e à implementação de medidas essenciais para assegurar a sustentabilidade futura da companhia”, explicou o gestor.
A administração da transportadora aérea defende que a TAAG “entrou num novo ciclo”, classificando 2025 como um ano de “reorganização, estabilização operacional e preparação estrutural”. A expectativa é que o corrente ano marque a viragem estratégica da empresa. “2026 tem de ser um grande ano de viragem. Maior disciplina, maior rigor, maior exigência interna. E um ano de consolidação efectiva da transformação da TAAG. A companhia não pode acomodar-se aos desafios”, vincou Clóvis Rosa.
O momento financeiro da TAAG ocorre num período sensível para o sector dos transportes em Angola. O Executivo angolano mantém no calendário a intenção de avançar com a alienação parcial do capital da companhia ainda este ano, um processo que tem conhecido sucessivos adiamentos e que exige demonstrações de viabilidade económica.
Fonte: Jornal Expansão
