O Banco Nacional de Angola (BNA) decidiu prorrogar até Setembro de 2030 o investimento no Gemcorp Fund 1 Limited, gerido pela Gemcorp Capital. O fundo, que representa uma parte significativa das reservas externas do país, estava avaliado em cerca de 597,2 mil milhões de kwanzas no final de 2024, segundo o Relatório e Contas mais recente da instituição.

A relação entre o BNA e a Gemcorp Capital iniciou-se em 2017, com um investimento inicial de cerca de 300 milhões de dólares norte-americanos. Ao longo dos anos, a gestora britânica tornou-se o principal gestor externo de activos do banco central angolano, chegando a administrar mais de metade dos investimentos confiados a privados.

Em 2020, o próprio BNA reconheceu limitações no acesso à informação detalhada sobre a composição exacta da carteira, o que gerou reservas por parte dos auditores e impactou as demonstrações financeiras da instituição.

Críticas e questões de governação

A parceria tem sido alvo de debate no sector financeiro angolano. Os principais pontos de contestação passam pela falta de transparência sobre os activos específicos onde o dinheiro está aplicado, dificuldades de acesso à informação por parte dos auditores e do próprio BNA, e a elevada concentração de recursos num único gestor externo.

Críticos argumentam que um banco central deve priorizar, acima de tudo, a segurança, a liquidez e a preservação do valor das reservas, especialmente num contexto económico como o de Angola, onde o kwanza e o poder de compra das famílias são sensíveis a choques externos.

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