As exportações de mercadorias em Angola registaram um crescimento de 10% no primeiro trimestre de 2024, atingindo os 8.699,5 milhões USD, um aumento nominal de 800 milhões USD face ao período homólogo. Segundo dados do Banco Nacional de Angola (BNA) analisados pelo portal, este desempenho foi sustentado exclusivamente pela subida dos preços do petróleo no mercado internacional, que compensou a queda contínua na produção nacional de crude, mantendo a dependência do sector petrolífero acima dos 94% na pauta exportadora.

O paradoxo do crude: Menos produção, mais receita

O sector de Oil & Gas continua a ser o pulmão da economia angolana. Entre Janeiro e Março, as receitas com a venda de petróleo bruto cresceram 11%, totalizando 7.149,6 milhões USD. No entanto, este vigor financeiro não reflecte um aumento da capacidade extractiva. Pelo contrário, dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG) indicam que a produção caiu 2%, fixando-se numa média diária de 1,023 milhões de barris.

O equilíbrio das contas públicas foi salvo pelo factor geopolítico. As tensões no Médio Oriente elevaram o preço médio do barril angolano para 82,9 USD, um acréscimo de 8,2 USD por unidade comparativamente ao ano anterior.

Recentemente, o Ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, destacou que o sector agro-pecuário já representa 23,1% do PIB, superando o peso do petróleo na estrutura económica interna. Todavia, os números das exportações contam uma história diferente.

Fora do sector extractivo (petróleo e diamantes), a diversificação económica angolana permanece residual:

  • Exportações não-petrolíferas e não-mineiras: Apenas 179,4 milhões USD (2% do total).

  • Sector Agrícola e Florestal: Contribuiu com apenas 500 mil USD, maioritariamente em madeira.

Analistas locais, como o economista Fernandes Wanda, alertam para o risco de um optimismo precoce, sublinhando que a agricultura ainda não se traduz em divisas nem em transformação estrutural que reduza a vulnerabilidade externa do País.

A China consolida-se como o destino preferencial do petróleo nacional, absorvendo 64% das exportações. No sentido inverso, o gigante asiático é também o maior fornecedor de Angola, com as importações a crescerem 25%.

A nota de destaque vai para a Índia, que se firmou como o segundo maior parceiro comercial, registando um crescimento de 63% na compra de crude angolano. Já Portugal, historicamente o principal fornecedor de bens e serviços, caiu para a terceira posição, com as importações provenientes deste país europeu a recuarem 26%.

Embora a balança comercial apresente um excedente de 4.900,3 milhões USD, a estrutura das importações acende um sinal de alerta. As compras de “bens de capital” (máquinas e equipamentos essenciais para a indústria) caíram 27%. Em contraste, a importação de bens de consumo corrente subiu 7%, demonstrando que Angola ainda gasta uma fatia considerável das suas divisas em necessidades imediatas em detrimento do investimento produtivo a longo prazo.

Fonte: Jornal Expansão 

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