O Governo angolano oficializou ontem, na província de Benguela, o lançamento da iniciativa Agrocorredores, um projecto estratégico que prevê o mapeamento de “alta resolução” ao longo do Corredor do Lobito. O anúncio foi feito pelo ministro da Agricultura e Florestas, Isaac dos Anjos, que sublinhou a importância deste eixo logístico e ferroviário — que liga o Porto do Lobito às províncias do Huambo, Bié e Moxico, com extensão à RD Congo e Zâmbia — como o motor da nova dinâmica agro-industrial do país.

Mapeamento abrange 1.500 quilómetros de extensão

Segundo o titular da pasta da Agricultura e Florestas, o levantamento técnico será exaustivo, cobrindo aproximadamente 100 quilómetros para cada lado da linha férrea, numa extensão total de 1.500 quilómetros. Este exercício visa identificar, com precisão:

  • Áreas de produção e recursos naturais;

  • Sistemas de irrigação e infra-estruturas existentes;

  • Polos agro-industriais e zonas prioritárias para novos investimentos.

“Pretendemos que as decisões futuras sejam tomadas com base em informação sólida, evidências concretas e planeamento estratégico”, declarou Isaac dos Anjos, reforçando que a escolha do Corredor do Lobito não foi casual, dada a sua relevância para a África Austral.

Coordenação e Integração de Investimentos

O Agrocorredores não surge como um novo projecto isolado, mas sim como um mecanismo de coordenação. O objectivo é alinhar os esforços de programas governamentais com o apoio de parceiros internacionais de peso, como o Banco Mundial, o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) e a União Europeia.

Para operacionalizar esta visão, foi criada a Unidade de Integração de Políticas Públicas e Coordenação da Transformação dos Sistemas Agrícolas e Sistemas Agroalimentares. Este órgão será responsável por garantir que os investimentos em estradas, energia, assistência técnica e financiamento actuem de forma coordenada, evitando duplicações de recursos.

A província do Bié foi a escolhida para acolher a primeira experiência piloto do Agrocorredores. Este “laboratório vivo” servirá para testar a implementação de sistemas de irrigação adaptados e soluções de energia solar, visando a redução dos custos de produção e o aumento da eficiência no campo.

Fonte: Lusa 

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