O arranque oficial da Oferta Pública de Venda (OPV) de 15% do capital social da Unitel provocou, desde o primeiro dia, um choque imediato no mercado secundário de acções da Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA). Numa reacção que analistas classificam como um movimento clássico de “realocação de carteiras”, os principais títulos bancários e de seguros registaram quedas expressivas, à medida que investidores institucionais e retalhistas liquidam posições actuais para garantir fundos destinados à subscrição das acções da operadora de telecomunicações.
O cenário expõe uma vulnerabilidade estrutural da praça financeira nacional: a escassez de liquidez. Sem novas injecções de capital fresco no sistema, o “apetite” pela Unitel — considerada a “jóia da coroa” das privatizações em Angola — obrigou o mercado a “despir um santo para vestir outro”, resultando numa desvalorização técnica dos activos já listados.
BCGA e BAI sob forte pressão vendedora
O sector bancário, pilar da capitalização da BODIVA, foi o mais fustigado. No primeiro dia de operações após o anúncio, o Banco Caixa Geral Angola (BCGA) liderou as perdas com uma desvalorização de 13,04%, fixando os seus títulos nos 20.000 Kz.
O Banco Angolano de Investimentos (BAI), habitualmente o papel mais líquido e resiliente do mercado, não ficou imune, recuando 6,53% para se situar nos 93.000 Kz por acção. Mesmo o Banco de Fomento Angola (BFA), a segunda maior capitalização bolsista do País, viu os seus títulos resvalarem 3,35%, sendo cotados a 101.000 Kz.
A tendência de correcção técnica não poupou o sector segurador. As acções da ENSA Seguros recuaram 2,94%, fixando-se nos 33.000 Kz. Até a própria BODIVA, enquanto empresa cotada, sentiu uma depreciação marginal de 0,63%, com as acções a valerem 79.500 Kz no fecho da sessão.
Especialistas sustentam que este prémio de atractividade da Unitel é um sinal de confiança na empresa, mas alertam que a profundidade do mercado angolano ainda depende de uma base maior de investidores para evitar que a entrada de novos players canibalize o valor das empresas já cotadas.
Fonte: Jornal Mercado
