O presidente da FIFA, Gianni Infantino, enviou na última quarta-feira (29) uma directiva às 211 associações membro, incluindo a Federação Angolana de Futebol (FAF), estabelecendo o dia 19 de Setembro como data limite para a aprovação de um polémico plano de “privatização” da gestão comercial do Campeonato do Mundo. A proposta prevê a criação de uma subsidiária privada, a FIFA Forward Enterprise, e oferece um incentivo financeiro imediato de 40 milhões de dólares (USD) para as federações que votarem favoravelmente ao novo modelo.
A estratégia da FIFA visa centralizar os direitos comerciais da maior competição de futebol do planeta numa nova entidade que contará com a entrada de investidores privados. Segundo dados avançados pela organização no seu portal oficial, o financiamento para o bónus de 40 milhões provirá da venda de uma participação minoritária nesta nova subsidiária.
Caso o plano seja ratificado, o impacto financeiro para as associações nacionais será substancial. Para a realidade angolana, a subida dos valores transferidos pela FIFA poderá saltar dos actuais oito milhões de dólares para mais de 20 milhões de dólares por ciclo (2027-2030). O projecto global prevê ainda uma expansão orçamental de financiamento na ordem dos 10 mil milhões de dólares.
Oposição e Críticas Internacionais
Apesar do aliciante financeiro, a proposta gerou uma onda de contestação entre as principais confederações:
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UEFA (Europa): Acusou a FIFA de mercantilismo, afirmando que “ninguém é dono do futebol”.
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CONCACAF e AFC: Manifestaram profunda preocupação com a falta de transparência e consulta prévia aos membros.
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Posição de África: Até ao momento, a CAF (Confederação Africana de Futebol), liderada por Patrice Motsepe, ainda não emitiu um comunicado oficial, mantendo-se na expectativa, tal como a CONMEBOL e a OFC.
O antigo líder da FIFA, Sepp Blatter, recorreu à rede social X para criticar duramente o seu sucessor, afirmando que “ninguém tem o direito de vender o nosso jogo”. Blatter apontou ainda o dedo à proximidade de Infantino com figuras políticas, como o ex-presidente norte-americano Donald Trump, sublinhando que a actual dimensão financeira está a “prejudicar profundamente” a essência do desporto rei.
Na Europa, a resistência é liderada por dirigentes de grandes ligas e pelo comissário europeu dos Desportos, Glenn Micallef, que deixou um aviso claro à organização sediada em Zurique: “não toquem no nosso desporto”.
Fonte: Novo Jornal
