A UNITEL admitiu, em comunicado divulgado esta quinta-feira, que o ataque cibernético sofrido na madrugada de terça-feira, 28 de Julho, pode ter sido uma acção deliberada para perturbar o processo de admissão das suas acções à negociação na Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA). O incidente afectou os serviços móveis de voz, dados e acesso à Internet em todo o território nacional, com impacto directo no quotidiano de milhões de angolanos e no funcionamento de empresas.
A operadora destacou a coincidência temporal entre o ataque e a véspera do início da negociação das acções, considerando esta hipótese uma das linhas de investigação em curso. “A Unitel não pode deixar de notar a coincidência temporal entre o incidente e a véspera do início da negociação das Acções, pelo que não exclui, entre as hipóteses em avaliação, tratar-se de um ataque deliberado e dirigido, com o possível intuito de perturbar o processo de admissão das acções à negociação”, refere o comunicado.
Serviços afectados e recuperação
O ataque atingiu os serviços móveis em todo o País, mas a UNITEL esclareceu que os serviços fixos suportados por fibra óptica e feixes hertzianos permaneceram operacionais. As equipas técnicas e de cibersegurança activaram de imediato os protocolos de resposta e contenção, classificando o incidente como “controlado”.
A recuperação da rede móvel começou de forma gradual a partir das 11h45 de 29 de Julho, com reposição parcial dos serviços de voz, dados e Internet em 15 províncias, incluindo Luanda, Bengo, Benguela, Huambo, Huíla, Namibe e Malanje. A operadora prevê a normalização progressiva nas restantes regiões e garante que mobilizou todos os meios disponíveis para a reposição integral.
A UNITEL afirmou que nunca tinha enfrentado um incidente desta dimensão, apesar de dispor de sistemas de cibersegurança, planos de continuidade de negócio e mecanismos de monitorização permanente de ameaças.
