O Africa Monitor Intelligence revelou, na edição de 9 de Abril, que as resistências internas à transparência financeira exigida pelo Grupo de Acção Financeira Internacional (GAFI) continuam a ser o principal entrave à retirada de Angola da lista cinzenta até Janeiro de 2027. A publicação aponta bloqueios políticos e económicos directamente ligados a indivíduos influentes com interesses nos sectores mineiro e petrolífero, precisamente na divulgação dos beneficiários efectivos das empresas – uma das exigências centrais do plano de acção internacional.
Esta situação surge num momento em que o Executivo angolano procura apresentar resultados concretos ao GAFI, sobretudo na identificação dos verdadeiros donos das empresas, no combate ao branqueamento autónomo de capitais, no reforço do confisco de activos e na maior responsabilização criminal. Para as famílias angolanas, o atraso significa menos confiança internacional, menor entrada de investimento directo e pressão adicional sobre o Kwanza e o custo de vida.
O relatório reforça que as mesmas resistências que, no passado, travaram medidas do GAFI mantêm-se activas, associadas a actores com participações nos sectores que mais geram divisas para o país.
Sectores Estratégicos Sob Maior Escrutínio
O conteúdo do Africa Monitor coloca os sectores mineiro e petrolífero no epicentro das preocupações tanto das autoridades nacionais como dos parceiros internacionais. Pelo elevado volume financeiro e pelo histórico de contratos estratégicos, estes dois ramos são vistos como os mais sensíveis à implementação da transparência total sobre os titulares efectivos.
Fontes ligadas ao sector admitem que o reforço desta exigência poderá abrir caminho a novas averiguações sobre participações empresariais, adjudicações e fluxos financeiros considerados sensíveis. Analistas consideram que o avanço desta agenda representa um teste decisivo à capacidade do Estado em actuar sobre sectores historicamente protegidos por interesses políticos e económicos.
O caso AGT, que resultou em condenações, é frequentemente citado como exemplo do tipo de investigação que, segundo o relatório, poderá estender-se a outras estruturas de peso, incluindo a Sonangol, empresa pública central para a economia nacional.
Prazo de 2027 e o Impacto no Quotidiano
Com Janeiro de 2027 a aproximar-se rapidamente, o grau de abertura na divulgação dos verdadeiros donos das empresas poderá determinar o sucesso ou o fracasso da estratégia nacional de saída da monitorização reforçada do GAFI. Qualquer atraso adicional afecta directamente a atracção de capitais externos, a estabilidade macroeconómica e o poder de compra das famílias nas províncias petrolíferas e mineiras.
Fonte: Correio da Kianda
