As energias renováveis representam actualmente cerca de 70% do consumo de electricidade em Angola, com a hídrica a contribuir com mais de 60%, anunciou esta quinta-feira o ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano.

O governante falava na abertura da 2.ª Conferência Internacional sobre Energia e Águas, que decorre em Luanda até sexta-feira. O dado reforça o caminho de diversificação da matriz energética nacional e o impacto directo na redução de custos para famílias e empresas.

Produção quase quadruplicada em 13 anos

Segundo José de Lima Massano, a produção de energia eléctrica em Angola passou de 1.772 megawatts em 2012 para 6.400 megawatts em 2025, um crescimento de quase quatro vezes. No mesmo período, as linhas de transporte de muito alta tensão atingiram 5.950 quilómetros.

“Em 2012, o sistema era predominantemente termoelétrico. Actualmente, cerca de 70% da energia consumida em Angola é proveniente de fontes renováveis, com a componente hídrica a representar mais de 60%”, sublinhou o ministro.

Esta transformação está a contribuir para a redução progressiva dos custos operacionais do sector e para a protecção ambiental, factores que se reflectem directamente no bolso das famílias angolanas e na competitividade das empresas.

Os avanços no sector da energia e das águas têm criado condições mais favoráveis ao crescimento da agropecuária, indústria transformadora, mineração, turismo, telecomunicações e logística.

Com a agropecuária e silvicultura a representar perto de 25% da actividade económica nacional e o comércio 19,27%, o ministro considerou que Angola está a construir “uma economia mais diversificada, mais inclusiva, sustentável e integrada”.

Nos últimos dois anos, a economia nacional cresceu a um ritmo assinalável, tendo o país reconquistado, em 2025, a posição de 6.ª maior economia africana e 3.ª a sul do Saara.

Investimentos em curso e metas ambiciosas

Angola mantém a meta de alcançar 73% de contribuição das fontes renováveis na matriz de geração até 2027. O Executivo continua a realizar investimentos estruturantes no sector, passando de um sistema com défices e cortes frequentes para uma realidade de expansão e modernização.

No sector das águas, destacam-se os projectos Bita e Quilonga Grande, nas províncias de Luanda e Icolo e Bengo, que juntos terão capacidade para produzir mais de 777 mil metros cúbicos de água por dia, beneficiando cerca de 7,5 milhões de consumidores.

O ministro da Energia e Águas, João Baptista Borges, reconheceu que “os desafios continuam enormes”, existindo ainda comunidades sem acesso regular à energia e à água, assimetrias territoriais e limitações infraestruturais.

Fonte: Lusa

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