O Governo angolano estabeleceu a meta estratégica de elevar a taxa de bancarização da população para 36% até 2027, o que representará a integração de aproximadamente 8 milhões de cidadãos no sistema bancário formal. O anúncio foi feito pelo Ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, durante a 15.ª Reunião dos Líderes da Iniciativa de Políticas de Inclusão Financeira Africana (AfPI), que decorreu em Luanda nos dias 9 e 10 de Julho.

De acordo com os dados apresentados pelo governante, a taxa de bancarização em Angola situou-se, no primeiro trimestre do ano corrente, em 32%, correspondendo a 5,7 milhões de pessoas com conta bancária activa. Contudo, o indicador de inclusão financeira — que abrange serviços para além da banca tradicional — já atingiu os 51,7%, aproximando-se da meta de 65% definida para o horizonte de 2027.

Estes objectivos estão integrados na Estratégia Nacional de Inclusão Financeira (ENIF) 2025-2027, um instrumento fundamental de política pública que visa democratizar o acesso de cidadãos e empresas aos serviços financeiros formais no país.

O “Boom” dos Pagamentos Móveis

Um dos pontos de maior destaque na intervenção do Ministro de Estado foi o crescimento exponencial dos canais digitais. No final do primeiro semestre de 2026, os pagamentos móveis e digitais registaram um aumento de 56% em comparação ao período homólogo.

  • Volume de Transacções: Cerca de 1,4 mil milhões de operações processadas.

  • Natureza das Operações: Predominância de transferências e pagamentos de serviços.

O Executivo pretende capitalizar este dinamismo digital. Com a implementação da ENIF, o objectivo é criar condições para que as operadoras de pagamentos móveis evoluam o seu modelo de negócio, passando também a conceder crédito, colmatando uma lacuna histórica no mercado nacional.

Para José de Lima Massano, a inclusão financeira não deve ser vista apenas como uma métrica estatística, mas como um motor de transformação social.

“Quando uma família consegue poupar com segurança, quando um agricultor obtém financiamento para aumentar a sua produção ou quando uma pequena empresa acede ao crédito para expandir a sua actividade, não estamos apenas perante operações financeiras”, defendeu o Ministro. “Estamos a criar condições para investir, produzir, gerar e proteger rendimento e transformar oportunidades em desenvolvimento económico e social”, concluiu.

Fonte: O Telegrama

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