A ETU Energias voltou a exercer o direito de preferência e bloqueou mais uma transacção já fechada entre operadores internacionais nos blocos 14 e 14K, em águas profundas da bacia do Kwanza. Com esta movimentação, a petrolífera angolana fica perto de controlar 83,9% do bloco 14 e cerca de 40% do bloco 14K, afastando investidores estrangeiros num momento em que o sector petrolífero angolano enfrenta declínio de produção e necessidade de novos investimentos.
A operação envolve a participação operacional de 31% no bloco 14 e 15,5% no bloco 14K que a Chevron tinha acordado vender à petrolífera grega Energean por cerca de 250 milhões de dólares. O negócio já tinha recebido aprovação da autoridade da concorrência. Esta é a segunda grande intervenção da ETU em poucos meses, depois de, em Março, ter bloqueado o acordo de 310 milhões de dólares entre a Azule Energy, BW Energy e Maurel & Prom.
Fontes do sector ouvidas indicam que a estratégia da ETU, liderada por Edson dos Santos, visa aumentar a sua quota nos blocos mais importantes da bacia do Kwanza. No entanto, a movimentação gera preocupação quanto à capacidade técnica e financeira da empresa para operar em águas profundas.
Direito de preferência aplicado pela segunda vez
Passados quase três meses do primeiro bloqueio, a ETU avançou novamente com o mecanismo contratual de preferência. No caso anterior, a Azule Energy viu-se obrigada a romper o acordo com o consórcio internacional e transferir as participações (20% no bloco 14 e 10% no 14K) para a ETU.
No negócio agora bloqueado, a Chevron, como operadora, terá de vender as participações à ETU, que já detém participações significativas adquiridas anteriormente à Galp (32,9% no bloco 14 e 4,5% no 14K em 2024) e à Azule.
Preocupações com experiência e capacidade financeira
Especialistas do sector petrolífero questionam a capacidade da ETU para assumir tamanha responsabilidade operacional. A empresa tem histórico mais forte em águas rasas e ainda acumula pouca experiência comprovada em projectos de águas profundas, onde os desafios técnicos e os custos são muito elevados.
“Isto obriga a ‘expertise’ em águas profundas e capacidade de captação de recursos, habilidades cruciais para lidar com o declínio da produção e desbloquear o potencial inexplorado dos blocos”, alertou um especialista que preferiu não ser identificado.
Resposta da ETU Energias
O presidente do Conselho de Administração da ETU Energias, Edson dos Santos, negou que esteja a bloquear investidores e justificou a acção como exercício legítimo de um direito contratual.
“Não existe bloqueio de ninguém. Existe vontade da ETU de exercer um direito que lhe cabe num bloco onde investiu bastante nos últimos quatro anos”, afirmou.
Fonte: Valor Económco
