A Sonangol registou um agravamento de 38,1% nos seus encargos com juros de mora durante o exercício de 2025, totalizando 212,8 mil milhões de kwanzas. Segundo dados da petrolífera nacional, analisados pelo nosso portal, este crescimento foi impulsionado sobretudo pelo incumprimento dos prazos na liquidação dos fundos solicitados pelos operadores dos blocos petrolíferos, os chamados cash calls, cujos juros associados mais do que duplicaram no último ano.

Embora a dívida com fornecedores de combustíveis importados continue a ser a maior fatia do passivo, foram as contribuições financeiras para as operações correntes dos blocos (perfuração, manutenção e desenvolvimento) que registaram o maior salto. Os juros de mora associados a estes cash calls subiram de 28,6 mil milhões para 71,7 mil milhões de kwanzas — um aumento exponencial de 151%.

Este indicador revela uma pressão crescente sobre a tesouraria da concessionária nacional, uma vez que estas contribuições são vitais para assegurar a continuidade da produção nos campos petrolíferos em Angola.

Numa nota positiva, os juros de mora relacionados com o atraso no pagamento a fornecedores de produtos derivados de petróleo (importação) registaram uma redução. Esta rubrica passou de 99,4 mil milhões de kwanzas em 2024 para 93,9 mil milhões no final de 2025. Da mesma forma, os encargos sobre despesas aduaneiras na importação de combustíveis também recuaram ligeiramente, fixando-se nos 30,6 mil milhões de kwanzas.

Estrutura dos Custos Financeiros

No cômputo geral, os juros de mora representam agora a terceira maior fatia dos custos financeiros da Sonangol, que no total ascenderam a 897,1 mil milhões de kwanzas (+32,5% face ao ano anterior). A estrutura de custos da petrolífera está actualmente distribuída da seguinte forma:

  • Encargos com juros (geral): 510 mil milhões Kz (+14%)

  • Juros de mora e outros: 214,9 mil milhões Kz (+111%)

  • Encargos com financiamentos: 174,3 mil milhões Kz (+132%)

A administração da empresa justifica este passivo, essencialmente, com a necessidade de regularizar pagamentos a fornecedores de combustíveis e a urgência em garantir a disponibilização de fundos para as operações nos blocos petrolíferos, fundamentais para a economia do País.

Fonte: Valor Económico

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