O consórcio liderado pela TotalEnergies, em parceria com a Sonangol e a Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG), está a acelerar a construção da unidade FPSO Kaminho, destinada à exploração dos campos Cameia e Golfinho, no offshore da Bacia do Kwanza. O projecto, avaliado em seis mil milhões de dólares, prevê extrair mais de 70 mil barris de petróleo por dia a partir de Julho de 2028, transformando a província do Bengo no mais recente pólo de produção petrolífera de Angola.

A construção da unidade flutuante de produção, armazenamento e descarga (FPSO) decorre actualmente nos estaleiros de Nantong, na China, tendo já alcançado os 50 por cento de execução física. Paralelamente, em Angola, o Estaleiro da Petromar, no Ambriz, assegura parte da logística e mão-de-obra, num esforço que mobiliza cerca de 2.500 trabalhadores entre os dois países.

O empreendimento é um dos pilares da estratégia energética nacional para manter a produção acima de um milhão de barris por dia. A estrutura accionista do projecto conta com a liderança da francesa TotalEnergies, acompanhada pela Sonangol e pela Petronas, cada uma com uma participação de 20 por cento. Participam ainda no consórcio as empresas Saipem, CMHI e a concessionária nacional ANPG.

Segundo Martin Deffontaines, director-geral da TotalEnergies em Angola, a operadora está a implementar turnos diurnos e nocturnos para tentar antecipar o “Primeiro Óleo”. “A complexidade técnica é elevada, pois operamos em reservatórios a mais de 4.000 metros de profundidade, mas estamos empenhados em optimizar o cronograma”, afirmou o responsável.

A FPSO Kaminho não se destaca apenas pela capacidade de armazenamento — até dois milhões de barris — mas também pelo seu perfil ambiental. A unidade foi concebida para operar com baixos índices de emissão de gases com efeito de estufa, alinhando-se às metas globais de descarbonização da indústria extractiva.

Para além dos indicadores económicos, o projecto é visto como um catalisador para o desenvolvimento do Bengo e do Ambriz. A cooperação entre a TotalEnergies e a ANPG tem focado na promoção do conteúdo local e na criação de postos de trabalho, visando a melhoria das condições de vida das comunidades circunvizinhas aos centros de operação.

Fonte: Líder Magazine

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