O Director-Executivo (CEO) da De Beers, Al Cook, confirmou esta terça-feira, em Londres, que a venda da unidade de diamantes da Anglo American deverá estar concluída “dentro de semanas e não de meses”. O anúncio, feito durante a conferência Reuters NEXT Europe, surge num momento em que Angola, em parceria com consórcios internacionais, mantém-se como um dos actores estratégicos interessados na aquisição da participação de 85% da multinacional, num processo acelerado pela reestruturação da casa-mãe e pela volatilidade do mercado global de gemas.

A decisão da Anglo American de alienar a De Beers, tomada em Maio de 2024, responde a uma necessidade de reestruturação profunda do grupo. De acordo com Al Cook, as negociações duram há dois anos e atingiram agora a fase de maturação. “Nunca estivemos tão perto de uma venda como agora”, reiterou o gestor, sublinhando que o processo visa dotar a empresa de uma estrutura mais ágil face à queda dos preços dos diamantes naturais e à concorrência crescente dos diamantes sintéticos (laboratório).

O interesse de Angola e o modelo de parceria

Angola, através de consórcios que integram o interesse estatal, figura entre os potenciais compradores, a par do Botsuana (que já detém 15% da empresa) e da Namíbia. Para o CEO da De Beers, o interesse de países produtores é visto com optimismo:

“Temos países que compreendem verdadeiramente os diamantes e empresas com elevado ‘know-how’ no sector. Estão reunidos os ingredientes para uma parceria público-privada poderosa”, afirmou Cook.

Consórcios na corrida final

Fontes próximas ao processo indicam que o número de interessados foi reduzido de seis para apenas dois consórcios finalistas. Entre os nomes que figuram na disputa estão:

  • Gareth Penny: Antigo CEO da De Beers e actual presidente da gestora Ninety One.

  • Investidores do Catar: Fundos soberanos com elevada liquidez.

  • Nir Livnat: Empresário israelita com vasta experiência no comércio de pedras preciosas.

Este desfecho é aguardado com expectativa em Luanda, dado que a De Beers possui operações activas em solo angolano e a sua nova estrutura accionista poderá ditar o ritmo dos investimentos na prospecção e exploração mineira nas províncias da Lunda-Norte e Lunda-Sul.

Fonte: Fashion Network

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