A UNITA prepara-se para o seu congresso em Dezembro, mas o ambiente interno no partido está marcado por divisões e disputas pela liderança. A Comissão Política delegou recentemente ao presidente Adalberto Costa Júnior os poderes para convocar o conclave, onde o atual líder será candidato à sua própria sucessão. Contudo, a campanha de Costa Júnior já enfrenta críticas por desrespeitar regras procedimentais, segundo fontes internas.
O secretário provincial de Luanda, Adriano Abel Sapiñala, tem promovido ativamente a candidatura de Costa Júnior, enquanto o secretário-geral da JURA, Nelito Ekuiki, enfrenta pressões para que membros da organização juvenil declarem apoio ao presidente. Fontes próximas a Ekuiki revelam que o jovem político considera candidatar-se à liderança, gerando desconforto em Costa Júnior, que busca evitar concorrentes que possam ofuscar sua campanha.
Outro nome em destaque é Rafael Massanga, filho do fundador Jonas Savimbi. Apesar do apoio de setores juvenis, Massanga prefere não desafiar diretamente Costa Júnior, optando por uma posição mais acomodada para garantir sua influência, possivelmente como futuro deputado.
A UNITA enfrenta ainda os reflexos da saída de Abel Chivukuvuku da Frente Patriótica Unida (FPU) e o crescimento do PRA-JA, que tem atraído figuras como Ginga Savimbi e outros militantes. Este cenário levanta comparações com a crise do Partido Socialista em Portugal, que caiu para o terceiro lugar em eleições recentes, sugerindo um risco semelhante para a UNITA.
Em resposta a estas tensões, surgiu o “Movimento de Resgate”, uma corrente interna que defende a volta de Isaías Samakuva, ex-presidente do partido, para unir a UNITA e preservar os ideais de Jonas Savimbi. Nas redes sociais, militantes intensificam os apelos ao regresso de Samakuva, conhecido como “Mais Velho” ou “Samas”. O silêncio do ex-líder, porém, preocupa seus apoiadores, que veem nele a única figura capaz de estancar a “sangria” de deserções para o PRA-JA.
Para contrabalançar o impacto do Movimento de Resgate, apoiantes de Costa Júnior intensificaram ações nas redes sociais, incluindo ataques à imagem de Samakuva e acusações de que ele e Chivukuvuku estariam a serviço do regime. Apesar disso, o trabalho de Samakuva na Fundação Jonas Malheiro Savimbi tem sido elogiado, reforçando a confiança de seus apoiadores em sua capacidade de estabilizar o partido.
Analistas sugerem que, numa eventual disputa eleitoral interna, Samakuva teria grandes chances de vencer Costa Júnior, dado seu carisma e histórico de liderança. O congresso de Dezembro será decisivo para o futuro da UNITA, que busca manter sua coesão e relevância no cenário político angolano. JPA
