Os accionistas dos principais bancos privados angolanos vão receber, este ano, mais de 306 mil milhões de kwanzas em dividendos, num contexto de lucros elevados que contrastam com as dificuldades que ainda afectam muitas famílias no país.
De acordo com os relatórios e contas já disponíveis, três dos bancos sistémicos — BIC, BFA e BAI — decidiram distribuir uma fatia significativa dos resultados do exercício, enquanto o BPC e o Millennium Atlântico optaram por reforçar capitais próprios sem distribuir dividendos.
O Banco BIC surge como o mais generoso com os seus accionistas em termos proporcionais. Após registar um lucro de cerca de 25,849 mil milhões de kwanzas, a instituição propõe distribuir 80% desse montante — ou seja, mais de 20,6 mil milhões de kwanzas — aos donos do capital. O modelo repete a estratégia do ano anterior, quando distribuiu cerca de 20,590 mil milhões.
O Banco de Fomento Angola (BFA) vai distribuir 60% dos seus lucros, avaliados em mais de 230,622 mil milhões de kwanzas, o que corresponde a aproximadamente 138,373 mil milhões de kwanzas para os accionistas. Trata-se de um aumento face ao exercício anterior, quando metade dos resultados foi distribuída.
Já o Banco Angolano de Investimentos (BAI), o que apresenta o maior volume absoluto, encerrou o exercício com lucros superiores a 295,682 mil milhões de kwanzas e propõe entregar metade desse valor — cerca de 147,8 mil milhões de kwanzas — aos accionistas. Este montante representa um crescimento significativo face aos cerca de 67,970 mil milhões distribuídos no ano anterior.
BPC e Millennium Atlântico reforçam reservas
Dois bancos sistémicos não vão distribuir dividendos. O Banco de Poupança e Crédito (BPC), de capitais públicos, obteve lucros na ordem dos 5 mil milhões de kwanzas e propõe canalizar apenas 10% para reserva legal, remetendo os restantes 90% para resultados transitados.
O Millennium Atlântico, com lucros de cerca de 22 mil milhões de kwanzas, adoptou postura semelhante, optando por não distribuir qualquer montante aos accionistas para reforçar a sua estrutura de capital.
A distribuição de mais de 306 mil milhões de kwanzas representa mais de 56% do lucro agregado dos três principais bancos distribuintes (total de 547,579 mil milhões).
Fonte: Valor Economico
