O Instituto Nacional de Estatística (INE) confirmou esta terça-feira, em Luanda, que a taxa de inflação homóloga de Angola abrandou para 10,88% no mês de Maio, representando o 22.º mês consecutivo de desaceleração e o valor mais baixo registado desde Junho de 2023. Esta tendência descendente, impulsionada por políticas monetárias e um controlo da liquidez, aproxima o país da meta de uma inflação de um dígito, apesar da pressão contínua nos preços dos transportes e da alimentação.

De acordo com o boletim do Índice de Preços no Consumidor Nacional (IPCN) divulgado pelo INE, a variação de Maio representa uma quebra de 0,70 pontos percentuais (p.p.) face aos 11,58% de Abril e uma redução significativa de 9,86 p.p. em comparação com os 20,74% de Maio de 2025.

A análise por classes de despesa revela, no entanto, que nem todos os sectores acompanharam a tendência de alívio de forma homogénea. As categorias que mais contribuíram para a inflação acima da média nacional foram:

  • Transportes: Com a maior subida, registando uma variação homóloga de 15,73%.

  • Habitação, Água, Eletricidade e Combustíveis: Com um aumento de 14,32%.

  • Educação: Com um crescimento de 13,40%.

  • Alimentação e Bebidas não Alcoólicas: Registou uma subida de 11,33%, sendo a classe que mais contribuiu para a variação geral de preços, com um peso de 6,90 p.p.

Assimetrias Provinciais: Cabinda no topo, Huambo com a menor variação

O comportamento da inflação não foi uniforme em todo o território nacional. Enquanto cinco províncias já registam uma taxa de um dígito, outras continuam com um custo de vida significativamente mais elevado.

  • Maior Variação: A província de Cabinda apresentou a inflação mais alta do país, com 16,56%.

  • Menor Variação: No extremo oposto, o Huambo registou a menor variação, com 7,72%.

  • Luanda: A capital do país ficou abaixo da média nacional, com uma taxa homóloga de 10,61%.

Províncias como Namibe, Cuanza Norte, Lunda Norte e Cunene juntam-se ao Huambo no grupo com uma inflação inferior a 10%, indicando uma estabilização de preços mais consolidada nestas regiões.

Perspectivas do BNA e o Caminho a Seguir

A contínua desaceleração dos preços está alinhada com as projecções do Banco Nacional de Angola (BNA). Em Maio, o Comité de Política Monetária (CPM), liderado pelo governador Manuel António Tiago Dias, reviu em baixa a sua projecção de inflação para 11,5% para o final de 2026, sinalizando confiança na trajectória actual.

Segundo o banco central, para que a inflação continue a baixar de forma sustentada, é crucial o aumento da produção interna, de modo a reduzir a dependência de bens importados e a exposição da economia às flutuações cambiais.

Fonte: Jornal Económico

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