O Kwanza vai passar a ser oficialmente aceite como meio de liquidação nas transacções comerciais entre empresas dos países da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) a partir de Junho de 2026.
O anúncio foi feito pelo governador do Banco Nacional de Angola (BNA), Manuel Tiago Dias, durante a conferência sobre o Futuro da Banca em Angola. A medida representa um passo histórico para a internacionalização da moeda nacional e deverá trazer alívio directo às empresas angolanas que operam na região.
De acordo com o governador, a iniciativa vai permitir maior celeridade nas operações comerciais e reduzir significativamente os custos, ao eliminar a dependência de bancos correspondentes estrangeiros, um mecanismo que encarecia e atrasava as transacções transfronteiriças.
Esta decisão chega num momento em que muitos empresários angolanos, especialmente das províncias, enfrentam dificuldades com as taxas de câmbio e os prazos demorados nas operações com países vizinhos como a Namíbia, a Zâmbia, a República Democrática do Congo e a África do Sul.
Com o Kwanza a ser usado directamente, espera-se uma redução nos custos operacionais, o que poderá reflectir-se em preços mais competitivos para os produtos angolanos no mercado regional e, consequentemente, maior volume de exportações.
Avanços tecnológicos como base da mudança
Manuel Tiago Dias sublinhou que os progressos tecnológicos registados nos últimos anos criaram as condições necessárias para a implementação efectiva do acordo. A infraestrutura digital angolana está hoje mais madura para suportar este novo patamar de integração financeira.
Na mesma intervenção, o governador fez um balanço dos 49 anos de evolução do sector financeiro nacional, destacando dois marcos fundamentais: o surgimento da EMIS e a expansão da rede Multicaixa. Estes sistemas, segundo ele, foram determinantes para a digitalização dos pagamentos internos e agora servem de base para a maior ambição regional.
Fonte: Líder Magazine
