Luanda enfrenta, nas últimas duas semanas, uma escassez de combustível que se reflecte em longas filas nos postos de abastecimento e na ausência simultânea de gasolina e gasóleo nas bombas. A situação, que se soma à dificuldade no acesso ao gás de cozinha, preocupa automobilistas, moto-taxistas e famílias, enquanto as empresas responsáveis pelo abastecimento – Sonangol Distribuidora e SonaGás – não emitiram ainda qualquer comunicado oficial.
Em diversos postos de abastecimento da capital, a realidade é a mesma: bombas vazias ou com apenas um dos produtos disponíveis. Nas poucas unidades onde há combustível, não é possível encontrar gasolina e gasóleo em simultâneo, o que alimenta a suspeita da população sobre uma possível ruptura no abastecimento. As filas, mais longas nas primeiras horas da manhã e no fim do dia, tornaram-se rotina para quem depende do veículo para o sustento diário.
Ao Novo Jornal, vários automobilistas e moto-taxistas relataram que algumas bombas permanecem sem nenhum dos dois combustíveis há vários dias. “Já perdi horas à espera, e quando chego à bomba, dizem que acabou. Isto está a afectar o nosso trabalho”, desabafou um moto-taxista ouvido pela nossa redação no município de Ingombota.
A escassez não se limita aos combustíveis líquidos. Em bairros de diversos municípios de Luanda, a botija de gás de cozinha tem sido difícil de encontrar. Quando disponível, é comercializada entre 2.500 e 3.000 kwanzas, valor que preocupa as famílias, atento ao impacto no orçamento doméstico.
A situação observada em Luanda espelha relatos noutras províncias, como a Huíla, e em diversas zonas do País, o que tem gerado especulação em torno dos preços do litro de combustível e do gás de cozinha. Nesta quarta-feira, 27, uma ronda efectuada pelo Novo Jornal por pontos estratégicos da província de Luanda constatou longas filas de veículos à porta da Refinaria de Luanda, à espera de reabastecimento.
Face à situação, a nossa redação tentou contactar a Sonangol Distribuidora e a SonaGás para obter esclarecimentos sobre as causas da escassez e as medidas em curso para normalizar o abastecimento. Até ao fecho desta edição, não obtivemos resposta. Comprometemo-nos a continuar as diligências junto das fontes competentes, em estrito cumprimento do dever de informar com rigor e transparência.
Fonte: Novo Jornal
