A empresa Mercons, liderada por Silvestre Tulumba Kapose, tem acumulado nos últimos anos um volume significativo de contratos públicos e activos, estimado em mais de meio bilião de euros e dólares, abrangendo projectos de universidades, estradas e agora interesses no sector do cimento e logística. A trajectória da companhia, que segundo relatos mediáticos terá começado com o empresário a trabalhar como taxista no Lubango, levanta questões sobre o modelo de adjudicação e a utilização de recursos públicos num contexto de pressão sobre o kwanza e as contas do Estado.
Entre os contratos apontados por vários órgãos de comunicação social angolanos destacam-se a Nova Vida (cerca de 280 milhões de euros), a Estrada Lubango-Benguela (mais de 339 milhões de dólares) e as universidades de Cabinda e Malanje (cerca de 340 milhões de euros). A Mercons surge ainda ligada à CIF Ciment e à CIF Logística. Em vários destes casos, o padrão referido é o da adjudicação directa, sem concurso público aberto.
O financiamento da Nova Vida e a dívida ao BPC
No projecto Nova Vida, 74,4% do valor (208,3 milhões de euros) terão sido financiados por empréstimo da Caixa Geral de Depósitos, com garantia do Banco Português de Fomento. Em Abril, a operação foi reforçada com 35 mil milhões de kwanzas junto do Banco Caixa Geral Angola.
Paralelamente, Silvestre Tulumba Kapose é referido como um dos maiores devedores do Banco de Poupança e Crédito (BPC). Relatos mediáticos apontam ainda para a falência declarada da antiga IMOSUL, seguida da criação da Mercons. Esta sequência — dívida a um banco público e recebimento de contratos do Estado — é vista por observadores como um ciclo que merece escrutínio público.
Vários órgãos de comunicação social angolanos associam o crescimento da Mercons à proximidade do empresário a figuras do Executivo. O padrão de adjudicações directas, sem concorrência efectiva, é referido de forma recorrente. A empresa tem sido convidada para projectos de grande dimensão, enquanto outras companhias do sector afirmam enfrentar dificuldades em aceder a oportunidades semelhantes.
Fonte: Luanda Post
