A TAAG – Linhas Aéreas de Angola encerrou o exercício económico de 2025 com um prejuízo líquido de 144,6 milhões de dólares, mantendo a sua trajectória de fragilidade financeira. O relatório do auditor independente, elaborado pela KPMG Angola, voltou a emitir uma “opinião com reservas”, apontando persistentes limitações no controlo de inventários e na validação de saldos transitados de anos anteriores, o que impede uma visão totalmente limpa sobre a saúde contabilística da transportadora de bandeira.
Divergências nos inventários sob o olhar da KPMG
O documento, datado de 15 de Maio de 2026 e assinado pelo perito contabilista Paulo Rui Inocêncio Ascenção, revela que, apesar de a companhia deter activos totais avaliados em 1,26 mil milhões de dólares, subsistem “fragilidades contabilísticas” críticas. O ponto central da discórdia reside na gestão das existências (inventários), uma situação que já havia sido sinalizada na auditoria de 2024.
Segundo a KPMG, não foi possível obter prova de auditoria suficiente sobre cerca de 65 milhões de dólares referentes a saldos iniciais herdados. Na prática, o auditor sublinha que as divergências entre os registos contabilísticos e as contagens físicas, somadas a falhas na valorização de bens em armazém, impedem a confirmação de rubricas essenciais como o custo das mercadorias vendidas e os resultados operacionais.
O balanço financeiro de 2025 reforça o cenário de pressão sobre a administração da companhia:
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Resultado Líquido: Negativo em 144.694.072 USD.
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Capitais Próprios: Negativos em 61,8 milhões USD (o passivo continua a superar os recursos próprios).
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Activo Total: 1,26 mil milhões USD.
Embora a KPMG não tenha colocado em causa o “pressuposto da continuidade” — o que significa que a empresa tem condições para continuar a operar no curto prazo — o parecer técnico classifica-se como uma situação intermédia. A “opinião com reservas” indica que o auditor encontrou limitações relevantes que, embora não invalidem todas as demonstrações financeiras, impedem a sua validação plena.
O relatório, ao qual o Imparcial Press teve acesso, recorda que cabe ao Conselho de Administração da TAAG a implementação de mecanismos eficazes de controlo interno e a preparação de contas livres de distorções. A manutenção destas reservas pelo segundo ano consecutivo levanta questões sobre a celeridade da transportadora em resolver as inconsistências no registo e valorização do seu património.
Fonte: Imparcial Press
