O ministro do Turismo, Márcio Daniel, afirma que o sector deixou de ser periférico na agenda governamental e posiciona-se como peça central da diversificação económica e da captação de divisas para o País. Passados 26 meses à frente da pasta, o governante garante que Angola já não é um destino desconhecido, mas sim emergente no mapa turístico mundial.

Em entrevista ao Jornal Expansão, o ministro sublinhou que o desenvolvimento do turismo vai pressionar os restantes sectores a resolverem os principais estrangulamentos, nomeadamente infraestruturas, estradas e conectividade aérea, com impacto directo no quotidiano das famílias angolanas e na estabilidade do Kwanza.

Tomando posse a 1 de Abril de 2024, após a separação dos ministérios do Turismo e da Cultura, Márcio Daniel encontrou um sector com pouca visibilidade externa. “Angola era praticamente desconhecida nos grandes operadores turísticos mundiais ou, quando conhecida, era associada a imagens negativas do passado”, reconheceu.

Para inverter este cenário, o Executivo aprovou a Estratégia Nacional de Comunicação do Turismo (Comunica Turismo) e lançou a marca Visit Angola – The Rhythm of Life. A marca, segundo o ministro, pretende transmitir o pulsar da sociedade angolana e reforçar o sentimento de angolanidade, ultrapassando divisões internas.

A estratégia já produz resultados concretos. Até Abril de 2026, a marca alcançou perto de mil milhões de pessoas em cobertura mediática, com presença destacada na ITB Berlim (maior feira de turismo do mundo), FITUR e CMT de Estugarda.

Turismo como gerador de divisas

Márcio Daniel defende que o turismo deve deixar de ser visto como um sector de “menoridade” para assumir um lugar central na redução da dependência do petróleo. “Se Angola não tivesse petróleo, em que é que nos ancoraríamos?”, questionou, destacando o potencial dos sectores primários e do turismo na criação de novas fontes de receita em divisas.

O País já integra plataformas internacionais de comercialização como Marco Polo e, a partir de Outubro, os pacotes turísticos angolanos estarão disponíveis na Studiosus Reisen. A entrada de turistas e investidores estrangeiros representa, na prática, influxo de moeda forte, aliviando a pressão sobre a balança de pagamentos.

Perante a vastidão da oferta angolana — que vai da floresta tropical ao deserto —, o ministro optou por uma estratégia focada: sol e praia como principal âncora para o turismo de massas, com ênfase inicial em Luanda (Mussulo e Cabo Ledo) e Namibe. O binómio Namibe-Huíla é vendido em conjunto, combinando praia com atracções como Tundavala e Leba.

No segmento de natureza e aventura, o foco incide na região do Okavango angolano, no âmbito do projecto transfronteiriço CASA. O primeiro eco-resort no Bico de Angola deverá nascer nos próximos meses, com modelo de turismo sustentável e de nicho.

Cooperação regional e turismo de eventos

Márcio Daniel, que é vice-presidente da Comissão para a África da ONU Turismo, aposta na colaboração em vez da competição. O CASA Visa — visto único para a região — é uma das apostas, com Angola prestes a aderir formalmente. O objectivo é captar parte dos cerca de 10 milhões de turistas que circulam anualmente por Zâmbia, Zimbabué, Botsuana e Namíbia.

No turismo de eventos, o Bureau de Convenções da Chicala vai ser inaugurado este ano. A ambição é posicionar Luanda como “a sala de reuniões de África”, através de propostas conjuntas com outros países do continente.

Fonte: Jornal Expansão 

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