Álvaro Sobrinho, ex-presidente do BES Angola, acusado de desvio de 400 milhões de euros em processo judicial que decorre em Lisboa.
O antigo presidente do Banco Espírito Santo Angola (BESA), Álvaro Sobrinho, voltou a estar no centro de investigações judiciais em Portugal, no âmbito da operação “Monte Branco”, que apura suspeitas de fraude fiscal, branqueamento de capitais e circulação ilícita de fundos com ligações a instituições financeiras angolanas. As novas revelações, divulgadas pela imprensa portuguesa, mantêm aberto um dos dossiers mais sensíveis da banca lusófona, com implicações directas para a percepção de transparência no sector financeiro nacional.
De acordo com informações tornadas públicas pelo Ministério Público português, o ex-banqueiro luso-angolano é um dos principais alvos da investigação, após a colaboração do gestor de fortunas suíço Michel Canals, ligado à sociedade Akoya, com as autoridades judiciais de Lisboa.
Os autos do processo indicam que Canals terá revelado movimentações financeiras associadas a Álvaro Sobrinho através de contas offshore, transferências internacionais e operações em numerário que, alegadamente, visavam ocultar a origem dos fundos e contornar mecanismos de controlo fiscal.

Rastilho nas ilhas financeiras

As autoridades portuguesas suspeitam que parte significativa dessas operações tenha envolvido recursos provenientes do BES Angola, instituição que Sobrinho presidiu entre 2006 e 2012 — período marcado por exposições financeiras elevadas e concessão de créditos que, posteriormente, foram considerados irregulares em auditorias independentes.
A investigação aponta para transferências milionárias destinadas a sociedades offshore ligadas ao antigo banqueiro, entre as quais World Property, Garrylake, Oralcom, Goya Holdings e Vamaserra, estruturas sediadas em jurisdições com baixa transparência fiscal. Segundo os investigadores, as movimentações identificadas através dessas entidades ultrapassam os 100 milhões de euros.
Em interrogatórios realizados em 2012, Michel Canals terá igualmente referido operações em dinheiro vivo envolvendo Álvaro Sobrinho e membros da sua família, bem como contactos com empresários e figuras ligadas ao antigo Grupo Espírito Santo (GES). O Ministério Público português considera que alguns desses fluxos financeiros poderão ter recorrido a circuitos internacionais para dissimular a origem dos capitais.
As revelações da operação “Monte Branco” acabaram por alimentar outros processos judiciais relacionados com o antigo presidente do BES Angola, incluindo investigações sobre investimentos imobiliários, aquisição de apartamentos de luxo em Portugal e operações financeiras envolvendo a Sporting SAD.
Em 2024, o Ministério Público português acusou Álvaro Sobrinho e a sociedade Holdimo de alegado desvio de cerca de 15 milhões de euros pertencentes ao BES Angola, no âmbito de negócios ligados ao clube português. No mesmo ano, o antigo gestor bancário foi pronunciado para julgamento por crimes de abuso de confiança e branqueamento de capitais no processo principal relacionado com o colapso financeiro do BESA.
Recorde-se que o BES Angola se tornou um dos casos mais mediáticos da banca lusófona depois de auditorias e investigações terem identificado perdas de milhares de milhões de dólares, associadas a créditos sem garantias suficientes e operações financeiras consideradas de elevado risco.
Ao longo dos últimos anos, Álvaro Sobrinho tem rejeitado categoricamente as acusações que lhe são dirigidas, negando qualquer envolvimento em práticas ilícitas e alegando perseguição de natureza política e financeira. A defesa do visado tem sustentado a inocência do cliente e solicitado o normal curso da justiça, em estrito respeito pelo princípio da presunção de inocência consagrado na lei.
Fonte: CNN-pt

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