Depois de mais de um ano em crise profunda, a Movicel reactivou pelo menos oito lojas na capital e cinco noutras províncias, renovou contratos de trabalho e começou a depositar parte dos salários em atraso. Funcionários contactados pelo portal confirmam o recebimento de 15% dos ordenados, num processo que arrancou em Fevereiro deste ano.

A operadora, que chegou a suspender contratos de cerca de 80% dos colaboradores e a encerrar quase todas as agências em 2025, enfrenta agora uma recuperação faseada. Fontes próximas da empresa indicam que a prioridade inicial foi dada a Luanda, pela maior densidade populacional e concentração de clientes.

Em Luanda, já funcionam agências nos bairros de São Paulo, Morro Bento, Estalagem, Vila de Viana, Gamek, Kilamba e Sequele. Muitas operam no interior de lojas de venda de telemóveis, numa parceria que permite manter o atendimento ao público.

Funcionários reenquadrados manifestam cauteloso optimismo. “Encontrei 15% do meu salário na conta. É pouco, mas é um começo. Esperamos mais até final do mês”, desabafou um trabalhador da agência da Estalagem. Na loja do Morro Bento, quatro operadores já atendiam clientes esta semana, garantindo que os serviços melhoram “dia após dia”.

A loja do Chamavo, no 1.º de Maio, constitui um caso de resistência: nunca encerrou portas e manteve o horário normal de funcionamento, servindo clientes para compra de cartões SIM e actualização de números.

Apesar da retoma operacional, os clientes ainda enfrentam dificuldades. Em províncias como Kwanza-Norte, Uíge e Malanje a rede continua ausente. Noutras, como Cabinda e Benguela, o sistema opera em 3G e com frequentes manutenções. Muitos utilizadores queixam-se de “falta de sistema” e de serviços intermitentes, mesmo com preços considerados atractivos.

A Movicel perdeu a posição de segunda maior operadora do país, lugar agora ocupado pela Africell. Em 2025, estimava-se que seriam necessários mais de 150 milhões de dólares para recuperar a rede de transmissão, reabrir lojas e reconquistar clientes.

Investimento egípcio não avançou

O grupo egípcio Elsewedy Electric, que em 2024 anunciou intenção de investir cerca de 400 milhões de dólares e entrar no capital da empresa, acabou por afastar-se. O investimento dependia da entrada no sector energético, que não se concretizou.

Fonte: Novo Jornal 

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